Sonho ou realidade?

 

«Querido Diário, hoje escrevo-te (tenho ainda uma caneta), no segundo dia em que estou neste planeta desconhecido, e está a ser terrível!!!! Não tenho ninguém para me consolar, depois do que aconteceu no planeta Terra. Isto é apenas um desabafo que estou a ter contigo, pois sei que nunca ninguém lerá isto….

Este é o começo de uma nova página do meu diário. Não sei em que dia estamos, nem sequer o mês ou o ano. Estou perdida no tempo e no espaço.

O meu nome é Emília e sou uma rapariga de 15 anos. Vivia em Lisboa, mas devido a uma catástrofe do planeta Terra, vim parar a este novo planeta.

Vou contar agora como tudo aconteceu e as coisas terríveis que presenciei.

O dia do acontecimento estava a ser normal, era Sexta-Feira, eu ia só ter aulas de manhã e depois tinha a tarde livre. Só que, à hora do almoço, na televisão, surgiu uma notícia inesperada e catastrófica para todo o mundo: «Fomos informados por fontes não identificadas que a partir das 14:00 locais, os continentes vão unir-se, o que será uma catástrofe!!! As pessoas têm de abandonar o planeta por isso vários centros espaciais vão recolher toda a gente do mundo. Fomos ainda informados que à medida que os continentes se unirem, o planeta irá desaparecerendo a pouco e pouco. Mas não entrem em pânico, dado que vários profissionais dos centros espaciais irão buscar as pessoas a suas casas para as transportarem ao Aeroporto, onde já se encontram foguetões que descolarão com destino aos centros espaciais. Aconselhamos que todos regressem de imediato a suas casas».

A maior parte das pessoas entraram de imediato em pânico, mas acabaram por achar melhor seguir as instruções das autoridades. Alguns minutos antes da tragédia, quase toda a gente já se encontrava nos Aeroportos dos respectivos países.

Eu e a minha família ainda estavamos à espera que nos viessem buscar quando, nesse momento,  recebi um telefonema do meu amigo Miguel, que me estava a pedir ajuda, por se terem esquecido dele. Saí de casa rapidamente, sem pensar, e fui buscar o Miguel na minha mota levando-o directamente para o Aeroporto de Lisboa. Conseguimos chegar antes de partirem os foguetões, tendo o Miguel agradecido muito a minha ajuda.

De seguida, regressei a casa, mas já não encontrei ninguém, a minha família já havia saído porque pensavam que eu tinha ficado no aeroporto.

Às 14:00 em ponto começou a tragédia. Os continentes começaram a unir-se, destruindo tudo à sua volta e, a pouco e pouco, a Terra foi desaparecendo. Os foguetões que se encontravam espalhados pelo mundo, voaram para os centros espaciais, com as pessoas tristes e revoltadas.

 Em Lisboa, eu, desesperada, não sabia o que fazer para sair do planeta. No momento em que estava prestes a desmaiar, vi, deslumbrada, um foguetão aparecer do nada. Quando entrei, verifiquei que este se encontrava vazio. Sem saber como, consegui guiá-lo e finalmente saí do planeta onde vivera 15 anos, despedindo-me com tristeza, vendo-o desaparecer aos poucos.

O meu problema agora era como encontrar os centros espaciais e saber qual seria o centro onde se encontrava a minha família. Enquanto pilotava, dei-me conta que estava a voar a grande velocidade e, em poucos minutos, fiquei fora do Sistema Solar.

De repente, o foguetão avariou, o que fez com que se desviasse da sua trajectória, indo eu parar a este planeta desconhecido onde aterrei com uma certa violência mas sem sofrer qualquer ferimento.

Agora que tinha parado de vez, pensava no que me acontecera desde que encontrara o foguetão, estranhando como é que tão rapidamente saíra do Sistema Solar, como é que sobrevivera dentro do foguetão sem ter um fato de astronauta e como, apesar de ter caído violentamente no planeta desconhecido, ainda me encontrava viva. Felizmente, a atmosfera era semelhante à Terra, por isso eu conseguia respirar.

Em vez de cair no desespero, resolvi explorar o planeta. Após andar muito sem encontrar ninguém, cheguei à conclusão (talvez estivesse a sonhar!) que este planeta em tudo se parecia com a Terra mas sem qualquer indício de poluição ou de mão humana. Era um paraíso todo verde e azul.

E agora aqui estou, querido diário, sem saber o que fazer...”

 

Mas a história não pode acabar assim como devem calcular. E o que se passou a seguir contou-me Emília ontem, na escola.

 

“De repente, do nada, apareceu um ser todo branco, quase transparente, que sem dizer qualquer palavra, me entregou uma carta que continha uma fotografia. Vi a fotografia e fiquei surpreendida, em virtude da mesma mostrar o planeta Terra sem rasto de destruição. Mas o que se passava? Quando levantei os olhos da fotografia, o ser tinha desaparecido. Comecei a correr para ver se o encontrava a fim de lhe perguntar o que estava a acontecer. De repente, sem dar conta que tinha chegado a uma falésia, dei um passo em falso e caí num abismo. No entanto... estranho! Era uma queda suave, parecia que alguém me estava a amparar ... fechei os olhos ... e continuei a cair ... certa de que ia morrer!

Quando voltei a abrir os olhos ... vi que me encontrava na minha cama. Que alívio! Tinha sido um sonho! No meu quarto tudo se encontrava normal como antes da suposta tragédia a que assitira.

- Emília despacha-te!! Eu sei que é Sexta-feira, mas ainda não é fim-de-semana! Levanta-te! Olha que já não é muito cedo e ainda chegas atrasada!

Nunca gostei tanto de ouvir a voz da minha mãe!

Entendi então que tudo o que acontecera fora só um sonho, a realidade é esta: o mundo não acabou, não! Mas entre o planeta onde estive e o nosso ... que grande diferença! Teria sido um aviso? Às vezes, é preciso levar os sonhos muito a sério.

Enquanto pensava nisto, com uma enorme alegria, levantei-me e reparei que um papel estava caído no chão ... apanhei-o ... era a fotografia que o ser me tinha dado mas em vez de ser do planeta Terra, era do planeta onde estivera durante o meu sonho ... ou teria sido realidade?

 

Pedro Nunes, 8º Ano