“A BELA MELUSINE”

Antepassada dos Condes do Luxemburgo

 

n Histórias e Lendas da Europa

 

 

 

 

 

 

PERSONAGENS

 

 

Narrador

Siegfried

Melusine

Dois Amigos

Pessoas da Casa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Adaptação de:

Inês Boavida Pires

Cláudia Sofia Mendes Batista

(7º Ano)

 

Colégio Portugal

Fevereiro 2008

 

 

CENA I

 

(Música. Cenário: Castelo, mar)

 

Narrador: Esta lenda que vou contar mistura o fantástico com o histórico. Siegfried viveu há mil anos e não se sabe ao certo porquê, decidiu trocar uma das suas terras pelo rochedo de Bock, onde se situa a cidade do Luxemburgo. 

 

(Entra Siegfried.)

 

Narrador: Certo dia o conde Siegfried afastou-se do castelo de Koerich para ir à caça. Foi cavalgando pelos bosques e, entusiasmado com o passeio, não percebeu que se tinha perdido até que, ao fundo de um vale profundo, viu as ruínas de um castelo romano. (Música. Uma voz feminina a cantar)

 

Siegfried: Mas de onde virá uma tão bela melodia? Que voz linda e suave!

 

(Procura pelo palco. Melusine está sentada ao pé do castelo. Siegfried fica espantado a olhar para ela.)

 

Narrador: Era tão bela que o cavaleiro ficou sem pinga de sangue. Não conseguia desviar os olhos daquela aparição sobrenatural.

 

Siegfried: Qual é a vossa graça minha donzela?

 

Melusine: Chamo-me Melusine...

 

Narrador: E mergulhando no rio Alzettee desapareceu, ao mesmo tempo que os últimos raios de Sol. Exausto,  o conde deitou-se e adormeceu.

 

CENA II

 

(Música. Sons de pássaros. Siegfred levanta-se e regressa ao castelo. Anda de um lado para o outro pensativo. Depois vai novamente ao castelo romano).

 

Narrador: Por muito que tentasse, não conseguia esquecer a bela Melusine. A partir de então passou a ir todos os dias visitar o rochedo onde a conhecera, na esperança de a tornar a ver. Um dia ...

 

Siegfried: Gostaria de dizer que a amo. Mas se ela se assusta e se vai embora para sempre?

 

Narrador: Até que um dia ganhou coragem ...

 

Siegfried: Casas comigo, bela Melusine?

 

Melusine: Caso contigo se me prometeres que nunca me obrigarás a sair deste lugar. Quero viver aqui ao pé do rochedo de Bock.

 

Siegfried: Seja como queres, minha donzela dos mares, mandarei construir o castelo mais bonito mesmo aqui.

 

Melusine: Mas há uma condição.

 

Siegfried: Todas as que quiseres, meu amor. Pede e ser-te-á concedido.

 

Melusine: Preciso de ficar a sós todos os sábados. Promete que nunca me seguirás, nem procurarás, nem me perguntarás onde vou.

 

Siegfried: Prometo, minha donzela dos mares. Dou-te a minha palavra.

 

CENA III

 

Narrador: E a partir desse dia, juntos passaram momentos de grande felicidade. Melusine cantava as mais lindas canções e Siegfried ouvia-a num silêncio fascinado. (Melusine canta.)

 

Narrador: Durante alguns anos viveram felizes. Tiveram sete filhos. Tudo parecia correr bem, mas aos sábados a condessa fechava-se nos seus aposentos e não deixava ninguém entrar. (Melusine vai para trás de um biombo. As outras personagens olham e comentam entre si) Os criados e os filhos não faziam comentários, talvez por estarem habituados àquilo desde o princípio. Siegfried tentava não ligar, embora morresse de curiosidade. Mas um dia...

 

CENA IV

(Entra Siegfried com dois amigos)

 

Amigo: Não percebo como é que aturas uma coisa destas.

 

Amigo 1: Se fosse minha mulher, garanto-te que não desaparecia aos sábados.

 

Siegfried: Dei a minha palavra ...  O meu amor por ela é mais forte. Não posso quebrar a minha promessa. (Amigos saem)

 

Siegfried (para o público): Mas... o que fará ela fechada no quarto? Espreito? Não espreito?

 

 

CENA V

 

Narrador: Mas a curiosidade acabou por levar a melhor sobre a palavra dada. E Siegfried espreitou mesmo. (Siegfried espreita no biombo e dá um grito.) O que viu deixou-o assombrado! (Sai o biombo) É que a bela Melusine estava a tomar banho mas quando se remexia na água, em vez de aparecerem as pernas e os pés, levantava uma monstruosa cauda de peixe coberta de escamas repelentes.

 

Siegfried: (Grita) Melusine. És uma sereia. Porque não me disseste?

 

Melusine: Siegfried, prometeste-me. Não devias ter quebrado a tua promessa. Nunca mais me verás.

 

Narrador: Foi quanto bastou para que Melusine desaparecesse. Num movimento desesperado, atirou-se de cabeça e mergulhou nas profundezas da água a que pertencia.

 

Siegfried: Perdi-a para sempre. Não devia ter espreitado. (Música.)

 

CENA VI

 

Narrador: Desde então Melusine aparece de sete em sete anos. Flutua sobre o rochedo vestida de branco. (Aparece Melusine)

 

Melusine: Estou condenada a continuar sereia se não houver quem descubra maneira de me salvar. Vou tecendo vestes de linho com plantas que nascem no rochedo do Bock. Se acabar a obra antes de recuperar a forma de mulher, o desfecho da história será terrível: morrerei e a cidade do Luxemburgo vai desfazer-se em ruínas. Ajudem-me a quebrar o encanto! Até daqui a sete anso. (Sai)

 

CENA VII

 

Narrador: Mas os luxemburgueses ainda têm muito tempo para encontrar a forma de quebrar o encanto, porque ela só pode acrescentar um fio de linho de sete em sete anos!

 

 

FIM